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As Pequenas Grandes Conquistas

Por Carol

Passar de ano com nota máxima na escola. Formatura do primeiro grau. Formatura do segundo grau. Passar no vestibular, se formar na faculdade. Grandes conquistas que, se Deus quiser, eu ainda vou comemorar com meu filho.

Mas, por enquanto, as conquistas são outras. E eu não sei quanto a vocês, mas eu comemoro cada uma delas, como foto, vídeo e data!

O primeiro sorriso. O primeiro balbuciado. A primeira vez que ele falou mamã parecendo realmente intencionado. Rolar, engatinha, ficar em pé, soltar as mãos do apoio, andar! Mandar beijo, dar tchau, bater palmas, dançar ao som de qualquer música, abrir a boca quando ouve “vamos escovar os dentes” e levantar os pézinhos quando eu peço “dá o pé pra mamãe beijar, dá”. Levantar os bracinhos pra ser pego no colo, mostrar em que colo quer ficar, ter preferências por algumas brincadeiras, se divertir no banho ou na piscina e amar uma cabaninha.

Pequenas coisas, conquistas enormes, felicidade de mãe sem tamanho. Um pequeno passo para a humanidade, um grande passo para um homem.

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Relato de Parto – Carol

Por Carol

polaroide

Inspirada pelos 9 meses de vida do João (39 semanas dentro da barriga, 39 semanas fora da barriga!) e pelo comentário de uma amiga (Malica, te dedico!) que adora ler relatos de parto, resolvi fazer o meu.

Descobri que estava grávida 2 dias depois do atraso da minha menstruação. Era o segundo mês sem pílula, e no primeiro ela tinha descido com 15 dias de atraso! Normal pra um organismo comandado por pílula por 10 anos sem pausas.. No segundo mês, resolvi fazer logo um teste de gravidez: se desse positivo, bem. Se desse negativo, ao menos a menstruação desceria mais rápido. A menstruação deveria descer na quarta feira. Na quinta a noite fiz um teste de farmácia, mas não consegui concluir nada. Na sexta de manhã, outro teste de farmácia inconclusivo (que, depois, eu vi que era bem conclusivo e positivo, eu é que não sabia!). Antes de ir pro trabalho passei no Sabin e fiz um Beta rapidinho. Às quatro da tarde saiu o resultado: POSITIVO, de 3 a 4 semanas.

Peguei indicação de um obstetra com uma amiga e, depois de consultar mais uns 3, todos do meu convênio de saúde, acabei decidindo pelo indicado mesmo. Meu plano sempre foi ter um parto normal, mas eu não sabia muito sobre o assunto. Na primeira consulta informei que queria parto normal, e o Dr. informou que por ele ok, ele faria sem problema algum. Consultei mensalmente com ele por 6 meses, sempre lendo muito, buscando informações em textos e com amigas sobre os diversos tipos de parto. Na consulta do 6º mês me decidi e informei ao Dr.: quero um parto normal com analgesia (a anestesia que pode-se tomar após certo nível de dilatação para suavizar ou neutralizar as dores das contrações e da passagem do bebê). A resposta do médico bagunçou minha vida: “Ok, é uma ótima opção. Porém, eu não posso garantir que vou estar presente no seu parto, pois meu foco são as cesáreas e eu não posso acompanhá-la por tantas horas quanto um trabalho de parto pode necessitar. Além disso, vai que o bebê resolve nascer na madrugada que eu fui pra uma festa e tomei uma taça de vinho? Mas não se preocupe, você entra em trabalho de parto, vem para o pronto socorro e lá todos os médicos são plenamente capacitados a realizar seu parto.”

“Não se preocupe”????? Seriously?? To há 6 meses consultando e pegando confiança com um médico pra ter o parto com um desconhecido??? Claaaaro, não vou me preocupar. Vou embora, isso sim!! E fui. Sem saber o que fazer, um tanto quanto preocupada, mas certa de que parir no PS com um médico desconhecido não era o que eu queria. Conversei com minha mãe, com algumas amigas “recém paridas” e, dois dias depois, conheci minha médica anja. Por acaso, por indicação de um médico desconhecido muito simpático que fui consultar e me disse que infelizmente não fazia parto normal mas que a amiga dele, Dra. Renata Franco, fazia e era muito boa. Conheci a Renata no mesmo dia e me apaixonei, e a cada consulta tinha certeza de que tinha feito a escolha certa (mas chorando porque ia pagar no particular nem ligando pro fato dela não aceitar o convênio…). Ela prometeu pra mim que tentaria me dar meu parto normal até o último segundo, mesmo se o bebê virasse, enrolasse no cordão, passasse das 40 semanas e tudo mais que dizem por aí ser impeditivo para um parto normal. Ela cumpriu o prometido.

Nos últimos meses da gravidez, minha pressão começou a subir. A Dra. me pediu pra comprar um aparelho de pressão e medir duas vezes ao dia. Se passasse de tanto por tanto, tinha que ligar pra ela. Nunca passou. Fiz trocentos exames de sangue e urina pra acompanhar de perto qualquer alteração. A partir da trigésima e pouca semana, passei a consultar quinzenalmente. Na trigésima sexta, semanalmente.

Na terça feira, 16/10/12, com 38 semanas e 6 dias, fui pra minha consulta semanal. Imensa, cansada, ansiosa, no fim da minha paciência. Já estava com 1cm de dilatação há duas semanas, e há uma estava tendo contrações sem saber que eram contrações. Fiz uma última ecografia, tudo certo com o bebê, que já estava encaixado há alguns dias, mas tinha aparecido uma volta de cordão no pescoço dele, o que não era problema algum pra Dra. Na consulta, medimos minha pressão, deu alta. Tive que fazer um exame de urina, no laboratório do hospital mesmo. Fiz, o resultado sairia em 1 hora. Meu Marido, que estava comigo, disse que iria voltar ao trabalho pra uma reunião rápida e depois voltava pra me pegar. Fiquei esperando uma eternidade hora, e quando o resultado saiu subi de volta ao consultório. Esperei a paciente que estava sendo atendida sair e entreguei o exame à Dra. Ela me pediu um minuto, disse que só ia tratar de um outro assunto com um outro médico e já me chamava, e fechou a porta. Não deu 3 segundos e ela abriu a porta: “Carol, você está com proteínas na urina (risco de pré eclampsia). Vamos ter que fazer seu parto hoje, não vou mais relevar essa pressão alta. Vá pra casa, tome um banho, pegue suas coisas e volte pra conhecer o João.”

E aí o que eu fiz? Chorei, claro. Muito. Demais. Eu estava muito nervosa, por mais que eu quisesse parir “pra ontem”, a notícia me pegou de surpresa! Liguei pro Marido, pros meus pais, pra duas ou três amigas, fui pra casa, peguei minhas coisas e voltei pro hospital. Dei entrada no hospital às 18:30h, e às 19h estava começando a indução do meu parto. Sim, indução! Acharam que eu já tinha ido pra cesárea?? No, no, no!! A Dra. ia me medicar de 4 em 4 horas, com um remédio para indução das contrações e, idealmente, da dilatação também. A Dra. passaria a noite no plantão, e eu seria examinada de hora em hora, ora por ela, ora pela enfermeira, medindo minha pressão e dilatação e os batimentos cardíacos do bebê.

Tobem

E lá fomos nós. Até umas 21h estávamos eu, meu Marido e minha mãe. Durante a noite e madrugada, só eu e Marido, e no dia seguinte cedo minha mãe voltou. Em alguns momentos minhas irmãs estavam lá também, mas eu não consigo lembrar exatamente quando, a memória já apagou um pouco. De manhã cedo, minha amiga e médica desse hospital também estava comigo.

Nas primeiras horas eu não senti nada de diferente, estava conversando, passeando, retocando a maquiagem de tempos em tempos (meu filho tinha que ter uma boa primeira impressão, ora bolas!). 4 horas depois, mais remédio. Dormi. De madrugada, comecei a sentir as primeiras contrações de verdade, mas ainda sem muito incômodo. Minha dilatação, porém, não avançava, estava em 2cm.

Terceiro remédio. Opa, começou. As contrações foram aumentando aos poucos. De manhã bem cedo, um pouco antes das 6h da manhã, já estavam bem fortes, eu já tinha que parar o que estava fazendo na hora da contração. Mas continuava caminhando, conversando e me maquiando. A dilatação: 4 cm.

7 da manhã terminou o plantão da minha médica. Ela me disse que às 14h tinha um novo plantão em Sobradinho (nós estávamos no Sudoeste), mas que ficaria comigo até meio dia e depois teria que ir. Caso João não nascesse eu seria acompanhada por outra médica, amiga recomendada dela. Não gostei, mas não tinha muito a ser feito. Fiquei mais tranquila quando minha amiga médica me disse que conhecia essa outra médica e que ela era muito boa. Ok, tínhamos um plano B então, mas eu queria muito que ele nascesse antes de meio dia!!

As horas foram passando, as contrações aumentando de força e ritmo, e a dor chegando de jeito. E a dilatação? 4 cm. No meio da manhã minha médica me avisou que tinha conseguido trocar o plantão dela no outro hospital (amém), e que pra isso ela teria que se ausentar durante umas duas horas e que com certeza voltava a tempo do meu parto. Foi.

Não sei bem o horário exato em que perdi o controle da situação. A dor, até então suportável, se tornou insuportável. Eu não conseguia mais caminhar e conversar já ficava quase impossível, já que as contrações vinham com um intervalo muito pequeno. A cada contração eu me contorcia toda, agarrada à lateral de ferro da cama do quarto. Minha mãe marcava a duração e os intervalos, e o Marido só olhava.. Sempre vinha uma enfermeira medir a dilatação, que permanecia nos 4cm. Lá pro meio dia, levantei pra ir ao banheiro e senti uma pontada muito forte, doeu demais. No banheiro, um xixi que pareceu muito mais longo do que o normal. A dor das contrações piorou demais depois disso. Logo depois minha médica chegou e, ao medir minha dilatação (sim, 4cm) me disse que a bolsa tinha rompido. Aí, pra ajudar no processo, ela resolveu que ia terminar de romper o resto. Aí o negócio ficou torturante. As contrações eram fortíssimas, de matar, e muito pouco espaçadas. Lembro da expressão de preocupação da minha mãe ao me ver aos berros querendo que aquilo acabasse. Sério, terror e pânico. By the way, por toda a minha vida me falaram que eu deveria ter um parto sem dor, porque sempre tive muita cólica menstrual. AHAN.

Por volta das 14h, eu não aguentava mais. Já estava chorando, cansada, fraca, e nada da dor passar. Maquiagem? Ha ha ha. Mediram minha dilatação pela nonagésima vez: 4 cm. Sério, que raiva!! Aí, por causa da dilatação que não evoluía, eu não podia tomar minha tão sonhada analgesia, porque ela iria retardar mais ainda o processo de dilatação. Ótimo.

Minha amiga médica, que tinha plantão à noite, falou que ia em casa rapidinho tomar um banho e voltava. Eu nem lembro quem mais estava no hospital, se minhas irmãs e pai estavam, só lembro do Marido e da minha mãe.

Por volta das 15h, cheguei no meu limite. A dor era insuportável demais, eu não dava mais conta. Estava preparada pra desistir e pedir a cesárea. Minha médica mediu mais uma vez a dilatação, que estava a mesma. Mas, na hora de medir os batimentos do João, viu que estavam começando a cair (depois, no parto, descobrimos que o cordão havia desenrolado do pescoço e estava passando por cima da cabeça dele. Cada vez que a contração o empurrava pra baixo ele apertava o cordão e os batimentos diminuíam). Era o que a Dra. precisava pra desistir do parto normal, não podíamos colocar a segurança do João em risco. “Pode ir descendo pro centro cirúrgico vestir sua roupa que eu e a Carol já estamos indo.”, ela disse ao Marido. Eu não parava de chorar, não me lembro de já ter chorado tanto na vida. Era muita dor misturada com nervoso, frustração, ansiedade e medo. Despedi da minha mãe e fui levada de maca pro centro cirúrgico.

Quando passei da minha maca para a mesa de cirurgia, mais litros de água escorrendo. Que sensação. O anestesista chegou, se apresentou, disse que ia me espetar no braço e na coluna, e que eu precisava ficar imóvel na hora da anestesia. Teria sido muito, muito mais fácil, se eu não estivesse em dor absurda a cada 20 ou 30 segundo. Foram três tentativas até que ele conseguisse me anestesiar. Deus, que alívio.

Deitei, colocaram aquele pano que tampa a visão do que acontece “lá embaixo” e fui, aos poucos, acalmando.. Minha médica estava lá me tranquilizando, a médica parceira dela foi um amor de pessoa, o anestesista pegava minha mão e conversava comigo, e em algum momento (que eu não sei quando foi), o Marido chegou.

Sacode pra lá, sacode pra cá (quem já passou por uma cesárea sabe do que estou falando!), perguntei às médicas: “Gente, falta muito pra começar??”. A resposta que recebi não vou esquecer jamais: o pediatra neonatal pegou o João nas mãos e colocou do meu lado, e disse: “Começar?? Eu já nasci, mamãe, olha eu aqui!”.

Oimae

Pronto, tinha dado tudo certo. Às 15:30h do dia 17/10/12, após 39 semanas de gestação, João Guilherme nasceu com 51cm e 3,185 kg, tranquilo, sem nem perceber o tumulto que havia sido as últimas horas do lado de fora da barriga. Não chorou muito (só na hora dos exames feitos pelo pediatra, já na sala ao lado da minha), diferentemente da mãe. Assim que o João saiu da sala, acompanhado pelo Marido, a amiga médica chegou, morta de braveza porque tinha perdido o parto por questão de minutos!!! Foi ver o João e mandou uma foto para a minha mãe, dizendo que estava tudo bem.

João nasceu perfeitamente saudável, graças a Deus, e “passou” em todos os primeiros exames da vida. Eu tive uma recuperação muito rápida, no dia seguinte já estava conseguindo caminhar e tomar banho sozinha. Tivemos alta na sexta feira pela manhã, e aí começou o novo capitulo das nossas vidas, muito mais gostoso e feliz do que o anterior!!

E só pra vocês terem uma idéia do quão nervosa e exausta eu estava, dias depois, em casa, eu comentei com o Marido: “Poxa, amor.. teve uma coisa no parto que fiquei chateada.. queria que você tivesse cortado o cordão umbilical do João!” e ele me responde: “Ué, mas eu cortei o cordão!! Você não viu?”. Inexplicável. Não sei onde é que meu pensamento estava, mas eu não vi o Marido sendo chamado, soltando minha mão, cortando o cordão, nada!!! Só voltei pra Terra quando vi o João! Engraçado, né?

E agora quase 10 meses já se passaram.. Se quero ter outro filho? Não sei, ainda não sei. E se eu tiver, vou direto pra cesárea ou vou passar pelo sufoco de novo? Vou passar pelo sufoco de novo. Pelo menos na segunda vez já vou saber o que esperar – ou não.

acabadamasfeliz

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Para rir um pouco

Não provei e não gostei – Pérolas de Samuel

No escurinho, deitado, coberto, beijado, rezado e “historiado”, eis que Samuel me faz um pedido:

S: Mamãe, dedeira?!

Com a paciência que me é peculiar, fui lá. Peguei o suco pronto que estava na geladeira e entreguei.

T: Toma filho. Boa noite!

S: Do que é?

T: Sei lá Samuel, toma logo.

S: Sério mãe, do que é? Queria suco de uva!

T: Ai Samuel, peguei do que tinha…

S: Eca mãe, não gosto de “duquitinha”!

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